Relatório aponta aumento de ataques online, impactos na saúde mental e avanço da autocensura
Um relatório recente da ONU Mulheres revela um cenário preocupante de violência digital contra jornalistas e comunicadoras em todo o mundo. O estudo aponta que ataques online têm se intensificado, afetando diretamente a liberdade de expressão e a saúde mental dessas profissionais.
De acordo com o levantamento, 12% das mulheres entrevistadas relataram ter sido vítimas de compartilhamento não autorizado de imagens íntimas. Além disso, casos de manipulação digital, como deepfakes, também aparecem no estudo, atingindo cerca de 6% das participantes.
O assédio virtual é outro problema recorrente. Quase um terço das mulheres afirmou ter recebido mensagens com teor sexual não solicitado, evidenciando um ambiente hostil nas plataformas digitais.
Os impactos vão além do ambiente online. O relatório mostra que muitas profissionais têm alterado seu comportamento por medo de ataques. Cerca de 41% das entrevistadas disseram evitar se expressar livremente nas redes sociais, enquanto 19% relataram autocensura no trabalho.
Entre jornalistas e trabalhadoras da mídia, esse número é ainda maior. Quase metade afirmou restringir suas publicações nas redes, refletindo um aumento significativo em relação aos últimos anos.
A violência digital também tem consequências diretas na saúde mental. Dados indicam que quase um quarto das profissionais foi diagnosticada com ansiedade ou depressão associada a esses ataques. Casos de estresse pós-traumático também foram registrados.
Segundo especialistas, muitos desses ataques são organizados e têm como objetivo silenciar mulheres que atuam no espaço público, comprometendo sua credibilidade e atuação profissional.
Apesar disso, o relatório aponta um aumento na busca por responsabilização. Mais mulheres têm denunciado casos à polícia ou buscado medidas legais contra os agressores.
Outro ponto de alerta é a falta de legislação adequada. Menos de 40% dos países possuem leis específicas para proteger mulheres contra violência online, deixando milhões de pessoas sem respaldo jurídico.
A ONU Mulheres destaca ainda que o avanço da inteligência artificial tem contribuído para a ampliação desses crimes, tornando-os mais sofisticados e difíceis de combater.
Diante desse cenário, especialistas defendem a criação de políticas públicas mais eficazes, além de maior responsabilidade das plataformas digitais na prevenção e combate à violência online.
Da redação com informações do site: Agência Brasil
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