Projeto que cria a Universidade Federal do Norte de Mato Grosso avança no Senado, mas gestão da UFMT cobra debate com a comunidade e reforço orçamentário
A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Aparecida Souza e Silva, criticou a possibilidade de emancipação do campus de Sinop sem a garantia de aumento no orçamento.

A unidade pode se tornar uma instituição autônoma, chamada Universidade Federal do Norte de Mato Grosso (UFN), conforme projeto em tramitação no Congresso Nacional.
A proposta avançou na última semana, após aprovação na Comissão de Educação do Senado. O texto é de autoria do senador Wellington Fagundes (PL).
Apesar do andamento legislativo, Marluce afirma que a separação, se feita sem estrutura financeira adequada, pode enfraquecer tanto a UFMT quanto o próprio campus de Sinop.
Em entrevista à Rádio Cultura FM, a reitora defendeu que a universidade foi criada com característica multicampi, justamente para atender diferentes regiões de Mato Grosso.
Segundo ela, a divisão sem planejamento pode afetar a sede, os demais campi e, principalmente, a unidade que busca se tornar independente.
Marluce também citou o caso de Rondonópolis, que passou por processo semelhante de emancipação. Para a gestora, a experiência serve de alerta sobre os efeitos de uma separação conduzida sem bases econômicas sólidas.
A reitora afirmou que o debate sobre Sinop tem sido conduzido com forte componente político e deveria começar pela escuta da comunidade universitária.
Ela lembrou que estudantes, professores e técnicos do campus formaram uma comissão e produziram um documento com as condições consideradas necessárias para a emancipação.
Entre os pontos indicados pela comunidade estão a ampliação do quadro de docentes, aumento do número de técnicos e reforço nos recursos orçamentários.
No entanto, conforme Marluce, a aprovação na Comissão de Educação ocorreu sem previsão de alteração no orçamento.
Para a reitora, esse é o principal problema. Ela argumenta que a UFMT já enfrenta desafios para manter e recuperar sua estrutura atual, especialmente em laboratórios, obras e espaços de pesquisa e extensão.
Marluce destacou que a universidade vive um período de expansão geográfica e acadêmica, o que exige investimentos maiores e permanentes.
Atualmente, segundo ela, parte das melhorias depende de emendas parlamentares e de financiamentos de órgãos como a Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos.
A gestora defende que qualquer processo de emancipação precisa apresentar bases claras, conhecidas por todos os envolvidos e sustentadas por orçamento adequado.
Para ela, apenas apoio político não é suficiente para garantir o funcionamento pleno de uma nova universidade federal.
A criação da UFN conta com mobilização de um Comitê Pró-Emancipação, formado para fortalecer a proposta.
O grupo tem participação de entidades como o Sindicato Rural de Sinop, a Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso e a Prefeitura de Sinop, comandada por Roberto Dorner (PL).
Mesmo reconhecendo o interesse regional pela autonomia, Marluce voltou a defender cautela. Segundo ela, a consolidação de uma universidade emancipada costuma ser lenta e exige planejamento de longo prazo.
Ao mencionar novamente Rondonópolis, a reitora afirmou que a instituição enfrentou mais de uma década de dificuldades após a separação.
A discussão sobre a criação da Universidade Federal do Norte de Mato Grosso segue em tramitação no Congresso.
Da redação com informações do site: RD News
Foto: VG Notícias






