A ideia de neve em Mato Grosso pode parecer improvável para muitos, especialmente por se tratar de uma região conhecida pelo clima quente durante a maior parte do ano. No entanto, registros históricos mostram que esse fenômeno já ocorreu — ainda que de forma extremamente rara.
Em julho de 1975, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido (a separação que deu origem a Mato Grosso do Sul ocorreu em 1977), o então sul do estado enfrentou um dos episódios de frio mais intensos já registrados na região Centro-Oeste.
Entre os dias 6 e 7 de julho daquele ano, uma forte massa de ar polar avançou sobre o território, provocando uma queda acentuada nas temperaturas. Em algumas localidades, os termômetros chegaram a marcar até −2,4 °C, um valor incomum para áreas de clima predominantemente tropical.
Cidades como Ponta Porã e Bandeirantes — que atualmente pertencem a Mato Grosso do Sul — amanheceram com uma paisagem atípica. Ruas e vegetação ficaram cobertas por uma fina camada branca, resultado da combinação entre frio intenso e precipitação, o que favoreceu a formação de gelo e registros pontuais de neve.
Moradores da época relataram surpresa diante do cenário incomum. O silêncio das primeiras horas da manhã deu lugar à curiosidade de quem saiu às ruas para confirmar o que parecia impossível: a ocorrência de neve em uma região historicamente associada ao calor.
Especialistas explicam que o fenômeno foi resultado da atuação conjunta de uma massa de ar frio muito intensa com umidade presente na atmosfera — condição essencial para a formação de neve. Mesmo assim, episódios como esse são considerados extremamente raros no Centro-Oeste brasileiro.
Desde então, eventos semelhantes não foram registrados com a mesma intensidade, o que reforça o caráter excepcional daquele inverno de 1975. O episódio permanece como um dos marcos climáticos mais curiosos da história da região.
Fonte: g1 MT (Victória Oliveira, 21/03/2026)







