A bióloga Rafaela Screnci prestou depoimento nesta semana durante o julgamento que apura sua responsabilidade no atropelamento que resultou na morte de dois jovens e deixou uma terceira pessoa ferida, em Cuiabá.
Durante o interrogatório, a acusada se emocionou ao relatar os impactos do caso em sua vida pessoal e profissional. Em um dos trechos mais marcantes do depoimento, Rafaela afirmou que, após a tragédia, passou a viver uma realidade de sofrimento constante.
“Depois do fato, sou uma morta-viva”, declarou aos jurados.
Segundo seu relato, desde o acidente ela enfrenta problemas emocionais, faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico e utiliza medicamentos para lidar com as consequências do episódio.
A bióloga também falou sobre a repercussão pública do caso e afirmou que sua rotina foi completamente transformada ao longo dos últimos anos. Durante o depoimento, disse compreender a dor das famílias das vítimas e ressaltou que também convive diariamente com o peso da tragédia.
O julgamento ocorre no Tribunal do Júri de Cuiabá e analisa as circunstâncias do atropelamento ocorrido em dezembro de 2018. O principal debate entre acusação e defesa gira em torno da existência ou não de dolo eventual, quando o motorista assume o risco de produzir o resultado.
Enquanto o Ministério Público sustenta a responsabilização da acusada por homicídio com dolo eventual, a defesa argumenta que o episódio foi um acidente de trânsito sem intenção de matar.
Após a fase de interrogatórios, depoimentos e debates, caberá aos jurados decidir sobre a responsabilidade da ré e definir qual tese prevalecerá no julgamento.
O caso teve grande repercussão em Mato Grosso e continua mobilizando familiares das vítimas, representantes da acusação, defesa e a sociedade civil.







