O julgamento da bióloga Rafaela Screnci, acusada pelo atropelamento que resultou na morte de dois jovens em Cuiabá, teve mais um capítulo marcado por debates entre acusação e defesa.
Durante sua sustentação no Tribunal do Júri, a defesa contestou a tese de dolo eventual — quando o acusado assume o risco de produzir o resultado — e argumentou que o caso deve ser tratado como um acidente de trânsito, sem intenção de matar.
Os advogados também afirmaram que o processo sofreu influência de um procurador aposentado ligado a uma das vítimas e sustentaram que houve um ambiente de forte pressão emocional e social ao longo dos anos. Segundo a defesa, parte da repercussão do caso teria contribuído para um cenário de revanchismo em torno do julgamento.
A estratégia dos defensores foi afastar a caracterização de homicídio doloso e convencer os jurados de que a acusada não assumiu conscientemente o risco de provocar as mortes. O debate sobre a existência ou não de dolo eventual é considerado um dos principais pontos do julgamento.
O Ministério Público, por sua vez, sustenta que as circunstâncias do caso justificam a análise pelo Tribunal do Júri, seguindo entendimento aplicado em diversos processos envolvendo mortes no trânsito quando há indícios de que o motorista assumiu riscos incompatíveis com a segurança viária.
O caso remonta ao atropelamento ocorrido em dezembro de 2018, em Cuiabá, que resultou na morte de dois jovens e deixou outra vítima ferida. Desde então, o processo passou por diversas etapas judiciais até chegar ao julgamento popular.
Após a fase de depoimentos e debates entre acusação e defesa, caberá aos jurados decidir sobre a responsabilidade da ré e a tese que prevalecerá no julgamento.







