Arquivo Público Estadual avaliou acervo com cerca de 1.200 caixas; proposta prevê organização, guarda, digitalização e acesso público ao material
A Câmara Municipal de Cáceres iniciou uma nova etapa do projeto de preservação de seu acervo histórico documental. A iniciativa conta com apoio do Arquivo Público do Estado e busca organizar, proteger e futuramente disponibilizar os documentos à população e a pesquisadores.
Na quarta-feira (14), a superintendente do Arquivo Público Estadual, Vanda da Silva, esteve na sede do Legislativo para avaliar as condições de conservação do material.

Durante a visita, foi feito um levantamento preliminar do setor de arquivos da Câmara. A contagem identificou aproximadamente 1.200 caixas com documentos acumulados ao longo da história do Parlamento municipal.
Além da verificação física do acervo, Vanda aplicou um questionário aos servidores responsáveis pelo setor. O objetivo foi avaliar o estado do espaço, os cuidados adotados e as condições de preservação da documentação.
Segundo a superintendente, o material guardado pela Câmara não representa apenas registros administrativos. Trata-se de um patrimônio histórico com informações sobre a trajetória política e social de Cáceres.
Entre os documentos analisados está um livro de atas do século XIX, com registros das atividades parlamentares daquele período.
Esse mesmo material já serviu de base para pesquisas acadêmicas, como o livro “A Câmara Municipal de Vila Maria do Paraguai”, da professora e doutora Maria de Lourdes Fanaia, que aborda os primeiros anos do Legislativo, a partir de 1859.
O professor de História da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Acir Montecchi, também acompanha a construção do projeto.
Ele destacou que a participação técnica do Arquivo Público Estadual é fundamental para orientar os próximos passos de organização, inventário e conservação dos documentos.
A proposta discutida prevê que a Unemat possa atuar na guarda e digitalização do acervo, por meio do curso de História e do Centro de Inovação em Redes Inteligentes e Soluções Criativas (Risc).
De acordo com Montecchi, o diálogo com a Câmara começou ainda na legislatura passada, com participação do professor Clementino de Souza.
A minuta do projeto é resultado dessa articulação entre universidade, Presidência da Câmara e demais envolvidos na iniciativa.
O professor explicou que o processo de inventariar, guardar e digitalizar os documentos exige investimento. Os custos e a modalidade de contratação ainda estão sendo avaliados pelo setor de Compras e Aquisições do Legislativo.
Antes da análise no setor de arquivos, Vanda da Silva se reuniu com o presidente da Câmara, Flávio Negação, e vereadores que acompanham o tema.
No encontro, foram apresentados os objetivos da visita e os detalhes sobre a proposta de criação de uma política permanente de preservação do acervo.
Flávio Negação afirmou que os documentos fazem parte da memória de Cáceres e precisam ser protegidos para as atuais e futuras gerações.
O presidente também pretende convocar uma reunião com os 15 vereadores para reforçar a importância do projeto e ampliar o envolvimento do Parlamento.
Os vereadores Marcos Ribeiro e Franco Valério defenderam que a preservação do acervo seja garantida por meio de projeto de lei.
A intenção é criar uma política permanente, capaz de continuar independentemente de mudanças na gestão da Câmara.
Para os parlamentares, a medida evitaria a interrupção de iniciativas semelhantes, problema já registrado em outros momentos.
A vereadora Valdeníria Dutra também destacou a importância da preservação documental. Segundo ela, proteger os arquivos é preservar a história e a identidade da população.
Ela afirmou que o acesso à memória pública é um direito da sociedade e um dever do Parlamento.
Com o projeto, a Câmara pretende transformar seu acervo em um arquivo público estruturado, permitindo que documentos históricos sejam consultados, estudados e preservados com segurança.
Da redação com informações do site: Câmara Municipal de Cáceres
Foto: Câmara de Cáceres






