Após três dias de julgamento no Tribunal do Júri de Cuiabá, o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi condenado a dois anos de detenção pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em abril de 2023 em uma conveniência na capital mato-grossense.
Apesar da condenação, o policial civil não irá para a prisão. O Conselho de Sentença decidiu desclassificar o crime de homicídio qualificado para homicídio culposo — quando não há intenção de matar — permitindo o cumprimento da pena em regime aberto. Além disso, a Justiça não determinou uso de tornozeleira eletrônica ou outras medidas cautelares.
O caso teve ampla repercussão em Mato Grosso desde o crime, registrado em uma conveniência próxima à Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Segundo as investigações, Thiago Ruiz conversava com o investigador momentos antes dos disparos. Imagens de câmeras de segurança mostraram a interação entre os dois pouco antes da morte do policial militar.
De acordo com o inquérito, durante a conversa, o PM teria mostrado a arma que carregava na cintura. Na sequência, Mário Wilson teria se apoderado do revólver e efetuado os disparos que atingiram Thiago Ruiz, que morreu ainda no local.
O Ministério Público sustentava a acusação de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já a defesa argumentou durante o julgamento que o investigador agiu em situação de medo e tentativa de sobrevivência.
O júri foi realizado no Fórum de Cuiabá e integrou o Programa Mais Júri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Ao longo dos três dias de sessão, testemunhas, delegados, policiais e o próprio réu foram ouvidos.
A decisão gerou repercussão nas redes sociais e entre familiares da vítima, especialmente pelo fato de o réu permanecer em liberdade após a condenação. O caso segue sendo um dos episódios mais comentados envolvendo forças de segurança no estado nos últimos anos.







