Caminhos iguais, destinos diferentes
Por que a implacável matemática do quociente eleitoral coloca a campanha de Dr. Leonardo em risco estrutural e projeta Irajá Lacerda rumo a Brasília
A política, como costumam ditar os bastidores, é feita de momento e de matemática. Na Região Oeste de Mato Grosso, com Cáceres ditando o ritmo do tabuleiro eleitoral, o eleitorado assiste a um afunilamento que coloca frente a frente dois nomes com bagagens semelhantes, mas que agora marcham para desfechos diametralmente opostos: Irajá Lacerda e Dr. Leonardo.
O roteiro de ambos, à primeira vista, justifica a tese de caminhos iguais. Tanto o representante do PSD quanto o do Republicanos entenderam cedo que o desenvolvimento da fronteira oeste passa, obrigatoriamente, pelos gabinetes de Brasília. Dr. Leonardo traz no currículo o mandato de deputado federal da legislatura passada, enquanto Irajá Lacerda construiu sua musculatura no alto escalão executivo dos ministérios. Ambos conhecem os atalhos da Esplanada e sabem como destravar recursos.
O empate técnico, no entanto, termina nas planilhas e na preferência popular.
O primeiro sintoma dessa ruptura está no humor do eleitorado e na dinâmica interna das siglas. As pesquisas recentes mostram Irajá Lacerda descolando na liderança da Região Oeste e batendo 1,7% na preferência estadual, contra tímidos 0,4% de Dr. Leonardo. Mais revelador do que o embate direto é o fato de que Irajá já aparece à frente de concorrentes diretos dentro de seu próprio partido, consolidando-se como uma das principais forças do PSD em todo o estado. O eleitorado parece apostar na eficiência pragmática de quem tem entregado resultados recentes.
Mas a pá de cal na disputa vem da engenharia partidária e do temido Quociente Eleitoral, estimado para bater a dura casa dos 233 mil votos nestas eleições. É exatamente nesta matemática que a campanha de Dr. Leonardo entra em estado de alerta máximo.
No Republicanos, a equação para o candidato de Cáceres é cruel e discrepante. A primeira vaga direta do partido tem um dono natural: Juarez Costa, um gigante eleitoral no Norte do estado que obteve quase 78 mil votos no último pleito. Para Dr. Leonardo, sair na frente de Juarez é uma missão quase impossível. A sua única tábua de salvação seria o partido conquistar uma segunda cadeira parlamentar. O problema é que, para sequer sonhar com essa segunda vaga, a chapa do Republicanos precisaria ultrapassar a marca dos 300 mil votos no total. Sem uma lista extensa de puxadores de voto massivos, a chance de alcançar as cobiçadas sobras eleitorais fica muito longe da realidade do partido, colocando o projeto de Leonardo sob altíssimo risco de naufrágio.
Na outra ponta da trincheira, a engenharia do PSD funciona como um rolo compressor. Irajá Lacerda desfruta de um “guarda-chuva” invejável. O partido aglutinou um exército de votos, ancorado na força de Emanuelzinho (reeleito com quase 75 mil votos) e na densidade histórica de Valtenir Pereira e Procurador Mauro na Baixada Cuiabana. É uma base consolidada que projeta cruzar o quociente eleitoral com folga e disputar ativamente as sobras. Estando no pelotão de elite de um partido com essa musculatura, Irajá tem seu caminho pavimentado com a segurança que falta ao seu adversário.
Na política, trajetórias parecidas costumam enganar os mais desatentos. Ter estado em Brasília é o ponto de partida, mas quem dita a linha de chegada é a força da chapa e a viabilidade matemática. Com uma campanha imprensada por um teto partidário inatingível, Dr. Leonardo vê o sonho da reeleição distante. Enquanto isso, unindo o crescimento nas pesquisas à blindagem de um partido estruturado para vencer, Irajá Lacerda caminha a passos largos para assumir a cadeira e se consolidar como a voz definitiva do Oeste mato-grossense no Congresso Nacional.







