Há 33 anos, os eleitores brasileiros participaram de um dos plebiscitos mais curiosos da história política recente do país. Em 21 de abril de 1993, a população foi às urnas para escolher entre a República e a Monarquia como forma de governo e entre o Presidencialismo e o Parlamentarismo como sistema de governo.
A consulta havia sido prevista pela Constituição Federal de 1988 e ocorreu poucos meses depois da renúncia de Fernando Collor de Mello, em meio a um período de forte instabilidade política no país.
Em Mato Grosso, o debate ganhou as ruas. Grupos favoráveis à restauração da Monarquia organizaram palestras, encontros e debates em escolas, universidades, câmaras municipais, na Assembleia Legislativa e em cidades do interior.
Um dos principais articuladores do movimento no Estado foi o advogado Naime Márcio Martins Moraes, que ajudou a fundar o Círculo Monárquico de Mato Grosso e participou de atividades de divulgação da proposta.
Segundo Naime, a mobilização também chegou a Cáceres, Primavera do Leste, Mirassol d’Oeste e outros municípios. O grupo buscava principalmente dialogar com jovens e universitários sobre as diferenças entre os sistemas de governo.
A campanha contou ainda com a participação de integrantes da Família Imperial, incluindo o príncipe Dom Philippe Tasso Saxe Coburgo e Bragança, que esteve em Cuiabá às vésperas da votação para participar de debates e palestras.
Na época, defensores da Monarquia apresentavam a proposta de uma chamada “Monarquia moderna”, na qual o monarca teria funções institucionais específicas dentro do sistema de governo.
O resultado nas urnas
Apesar da mobilização, a maioria dos brasileiros rejeitou a mudança.
O eleitorado decidiu pela República como forma de governo e pelo Presidencialismo como sistema de governo. Dessa forma, o modelo republicano e presidencialista foi mantido no país.
Para os grupos monarquistas de Mato Grosso, porém, o plebiscito representou uma oportunidade de levar novamente ao debate público uma proposta que havia deixado de fazer parte da política brasileira desde a Proclamação da República, em 1889.
Mais de três décadas depois, o episódio permanece como um capítulo peculiar da história política de Mato Grosso e do Brasil — inclusive pela mobilização que ocorreu no interior do Estado.







