A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afastou cautelarmente o professor de Direito Saulo Tarso Rodrigues após uma estudante denunciar episódios de assédio, insistência em contatos e ameaças. A medida foi adotada por meio de portaria da Reitoria para garantir a segurança da aluna e assegurar a imparcialidade das investigações administrativas.
De acordo com a denúncia, a relação entre professor e estudante começou de forma estritamente acadêmica no início de 2026. Com o passar do tempo, porém, o docente teria passado a oferecer caronas, convidá-la para sair, enviar mensagens pessoais e insistir em manter contato, mesmo após sucessivos bloqueios em aplicativos de mensagens e redes sociais. Segundo o relato, ele também teria utilizado outros números de telefone e até intermediários para tentar falar com a estudante.
Diante da situação, a aluna registrou boletim de ocorrência, representou criminalmente contra o professor pelos crimes de importunação sexual e perseguição (stalking) e solicitou medidas protetivas. A Justiça deferiu o pedido, determinando que Saulo mantenha distância mínima de 500 metros da estudante, além de proibir qualquer contato com ela, familiares e testemunhas.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque, poucos dias antes, o professor havia sido condenado pela Justiça por perseguir e ameaçar a ex-esposa após o fim de um relacionamento de aproximadamente 13 anos. Na sentença, ele recebeu pena de 10 meses e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, além de multa e indenização por danos morais no valor de R$ 3 mil. O magistrado considerou comprovado o crime de perseguição praticado no contexto de violência doméstica.
Em nota, a UFMT informou que o afastamento cautelar está relacionado exclusivamente à denúncia envolvendo a estudante e destacou que o procedimento administrativo é independente da ação penal referente ao caso da ex-esposa. A universidade afirmou ainda que, por força do sigilo legal, não divulgará outros detalhes, mas reiterou o compromisso com um ambiente acadêmico seguro, livre de assédio e discriminação, assegurando o devido processo legal e a ampla defesa.
Até o momento, o professor não foi condenado pelas acusações envolvendo a estudante. As investigações seguem em andamento nas esferas administrativa e criminal, e caberá às autoridades competentes decidir sobre os próximos desdobramentos do caso.







